O processo participativo na educação alimentar dos filhos

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Como estabelecer hábitos saudáveis na correria do dia a dia?

Hoje vou compartilhar minha maior crença em relação a formação de hábitos alimentares saudáveis e duradouros: processo participativo. Você tem dificuldade de estabelecer hábitos alimentares saudáveis e duradouros para sua criança? Então te convido inicialmente a uma reflexão. Quantas vezes você já a levou para um passeio numa feira de rua? Quantas vezes vocês vão juntos às compras? E não me refiro às compras no shopping, mas compras de verduras e legumes. Quantas vezes vocês estenderam uma toalha num gramado de praça e fizeram um piquenique com um lanche que vocês prepararam juntos?!

Por mais que você queira que seu filho se alimente bem, não basta querer, tem todo um esforço para que isso aconteça, uma construção familiar. Então, antes de justificar que a vida “moderna” é muito corrida e que não tem tempo, planeje. É verdade que a vida moderna é mesmo atribulada mas será que realmente usamos o tempo a nosso favor e com questões importantes para nossos filhos e para nós mesmos?! Reflita. Tem uma questão que me preocupa muito em relação a uma justificativa cotidiana: a falta de tempo. Se não somos capazes de administrar o tempo, se não temos capacidade para essa tarefa, como iremos ensinar nossos filhos a fazê-lo?! Conheço muitas mães que já acordam bradando: “vamos logo que já estamos atrasados”!
Fico pensando o estresse que isso causa nas crianças. E não apenas isso, mas em como essas crianças, um dia, serão capazes de estabelecer um vínculo saudável e usar o tempo, assim como a alimentação a seu favor. Quando bradamos que estamos atrasados, ensinamos que o tempo é inimigo, quando na verdade deveríamos ensinar que ele é um grande aliado.

Mas como ninguém pode dar o que não tem, não há outra alternativa senão aprender e ensinar. Assim funciona o processo educacional.

Para começar algumas dicas:

1- Tempo é igual a dinheiro e não podemos gastar mais do que temos. Assim, alguns dias teremos mais tempo para fazer as refeições e elas serão mais longas e divertidas. Em outros, isso não será possível.

2 – Faça escolhas conscientes para gastar seu tempo. Se você usá-lo com o que não é importante, certamente faltará para as prioridades. Sempre eleja as prioridades e depois disso, se sobrar tempo, gaste-o com o supérfluo.

3 – Seu filho não é supérfluo. Seus pais também não.

4 – Antes de dizer “estamos atrasados”, diga para a criança quanto tempo ela terá para executar uma tarefa: “filho (a) hoje estamos com o tempo mais curto e você terá 20 minutos para tomar café ou almoçar”. Enfim, determine tempo para cada tarefa e ajude-o a cronometrar a execução dessa tarefa. “Filho, já se passaram 10 minutos e seu prato ainda não está na metade, você precisa ser um pouco mais rápido”. Obviamente estamos falando de crianças que já são capazes de assumir esse tipo de administração e responsabilidade. A parir dos dois anos, eles já tem capacidade emocional e cognitiva para iniciar o processo.

5 – Antes de sentir culpa pelo pouco tempo que você acredita estar presente, pergunte ao seu filho e escute a percepção dele, sempre. Ele percebe as situações de forma diferente da sua.

E lembre-se que a qualidade do tempo vale muito, então quando estiver com seu filho, desconecte-se e aproveite!

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Juliana Muradas é chef de cozinha especialista em nutrição saudável,
proprietária da Deli Fresh Food, mãe de filhos gêmeos, empreendedora, escritora e
idealizadora do projeto Inhame Inhame nutrição infantil.


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